Quando amar for um erro matem-me sem escrúpulos!
Pois assim não quero viver!
Magoem-me!
Mil vezes magoem-me!
Destruam-me o corpo!
Despedacem-me a alma!
Espezinhem-me os sonhos!
Peço-vos em jeito de eutanásia…
Cortem-me os pulsos!
Esquartejam-me com cavalos bravios!
Pendurem-me na árvore de Judas!
Aticem sobre mim as áspides de Cleópatra!
Espetem-me o punhal de Romeu!
Tirem-me do sofrimento…
Peço-vos por favor…
Porque se amar for um erro, já terei deixado de viver.
segunda-feira, junho 09, 2008
Amar
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renard
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domingo, junho 08, 2008
A instintiva dor de amar
Batalho longas horas contra mim mesma. Quero me forçar a querer algo que, pelos vistos, não quero. Dizem que ponho barreiras à partida por uma qualquer pré-concepção de perfeição que não existe. Por vacilar entre a possibilidade de terem razão e o meu íntimo que me diz o contrário, ando num reviravolta sentimental que finda os meus dias com os lábios a saber a sal.O que não entendem é nada tem a ver com perfeição… Mas encontrar aquela imperfeição toda… Aquela! A que por ser tão imperfeita, a nós nos parece irrepreensível. Amar é isso mesmo! Ver as imperfeições do amado apenas como características deliciosas e nunca, mas nunca, como defeitos. Os que amamos não tem defeitos. Jamais! Têm é um feitio especial.
Se ao menos o coração não acelerasse… Se ao menos as gotas de suor não se criassem… Se ao menos as pernas não oscilassem… Se ao menos os olhos não lacrimejassem…Se ao menos o sorriso não abrisse…
Isto tudo num ápice. Num vislumbre ao longe. No engano de pensar que os olhares se cruzaram.
Na esperança que entre a multidão as nossas almas sintam a presença uma da outra. Como um estremecimento num suspiro… Um batimento cardíaco falhado… Um arrepio nas costas… O levantar dos cabelos ao fundo do pescoço…
Podemos nos tentar ludibriar com racionalizações, supressões, distanciamentos, perspectivações, desistências, mentiras e enganos…
Mas a anatomia não mente. O instinto não atraiçoa.
Da mesma forma que o instinto coage involuntariamente a afastar-nos do cão que rosna; impele-nos, também, a querer estar sempre perto de quem desejamos…
Começo agora, pela primeira vez, a não querer sentir isto. A querer que passe porque me incomoda. Porque é um entrave à minha vida. Porque é uma manifestação desnecessária criada para uma relação que jamais será.
Chega! Quero livrar-me disto! Mas da mesma maneira que não pedi para sentir, sei que só cessará quando outro corpo ocupar este espaço…
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sexta-feira, junho 06, 2008
Parabéns Principezinho
Lealmente e como me prometeu vai tomando conta de mim como pode.
Quando o conheci estava em hibernação na toca há já muito tempo. Qualquer contacto humano fazia-me tremer e encolher-me com medo. Como qualquer animal maltratado tinha pavor que me voltassem a fazer mal.
Esticou a mão para dentro da toca e disse: - Vem! Não te faço mal. Nem deixo que ninguém o faça. Vai demorar e doer muito mas vou ensinar-te a viver.
E assim começou a nossa cumplicidade. Aos poucos fui-me afastando cada vez mais da toca e dou grandes passeios com ele. Com o meu Principezinho não tenho medo. Ele guia-me e não me deixa perder-me.
O meu Amigo hoje faz anos. E, embora tenhamos uma grande diferença de existência temporal, a nossa Amizade vai para além de qualquer parâmetro humano e mundano.
Lá no nosso planeta não existe idade, tempo ou estereótipos. Falamos e vivemos como bem queremos e é lá que sinto que posso ser quem sou e não preciso de fingir que sou forte.
Sei que chegará o dia que o Principezinho vai achar que estou preparada para conhecer o mundo pelas minhas próprias patas. Ensinar-me-á as manhas para fugir aos caçadores e, de tempos a tempos, virá me visitar.
Mas esse momento tarda e até lá tenho-o a meu lado.
PARABÉNS PRICIPEZINHO!
Por teres chegado onde chegaste, pela pessoa especial que és, pela resiliência que demonstras perante os contratempos da vida. És o meu Cometa, meu Amigo, meu Confidente e o único que me vê exactamente como sou: “totalmente humana e frágil”.
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quinta-feira, junho 05, 2008
A Tribo
Quem diria que volvidos quase 20 anos da minha partida de África para cá, faria parte duma tribo?!Para os membros da mesma onde me insiro, vou explicar o porquê de ter apelidado (peço por empréstimo a expressão da BC) “a nossa teia de afectos” de tribo.
Do que me lembro das tradições tribais que li em tempos, todas parecem encaixar que nem uma luva neste conjunto de pessoas heterogenias, mas iguais, que somos.
Nas tribos a antiguidade é um posto! Os mais velhos são vistos pela sua sapiência e aquilo que transmitem é respeitado já que eles têm a experiência da vida a pesar-lhes nas palavras.
Nas tribos as crianças são tratadas como tal. Devem ser respeitadas e ouvidas pois têm o conhecimento mais puro que existe: a inocência. Têm o direito de serem crianças sem pressa de crescerem. De brincarem. De chorarem. De caírem… Sabendo de antemão que cá estaremos para lhes limpar as feridas, secar as lágrimas e dar colo.
Nas tribos todos os membros são ouvidos e as opiniões de todos são tidas em conta porque não existe certo ou errado. Existem modos de pensar. Então, poder-se-á gerar uma discussão saudável sobre um qualquer assunto e não chegando a consenso, respeitosamente, concorda-se em discordar.
Nas tribos, o conjunto trabalha sempre para o todo e nunca para o indivíduo. Não existe espaço para egoísmo ou narcisismo. Se um membro não se encontra bem, todos se esforçam para dar o seu contributo para o ajudarem a ultrapassar a má fase ou obstáculo.
Nas tribos a solidariedade é uma exigência. Não só de membro para membro, mas com todas as outras tribos que nos circundam.
Nas tribos a natureza e os animais são equiparados a nós e nunca inferiores.
As tribos quem vier por bem, é sempre bem-vindo e a ausência dum membro é logo notada. Cabe aos membros indagarem sobre o bem-estar do ausente e apaziguar a preocupação da restante tribo.
Nas tribos é-se chamado à atenção sobre questões preocupantes e urgentes da sociedade e mundo para que, em gerações futuras, não se cometam os mesmos erros do passado.
Nas tribos, o conhecimento e a palavra são as armas mais poderosas contra todos os males.
Este post é dedicado à BC, á Avó Pirueta, ao Raul, à Marta, à Fátima, à Jade, ao Besbertocharrua e ao Só Eu. Espero não me ter esquecido de ninguém, mas acho que não.
A todos vós um muito obrigada por lerem o que escrevo, pelas palavras ternas que me deixam. Tornam os meus dias um pouco menos dolorosos.
SAUDAÇÕES TRIBAIS
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terça-feira, junho 03, 2008
Bad day
Um não acabar de pequenas coisas que me foram irritando e mexendo com o meu amor-próprio tornaram um dia vulgar numa verdadeira derrota pessoal.
Fui humilhada em todos os quadrantes da vida. Rebaixei-me perante desconhecidos; fui magoada, novamente, pelo meu pai; espezinhada por amigos; fraca perante inimigos…
O nome Renard nunca me caracterizou tão bem… Apetece-me fugir para dentro duma toca e lentamente deixar que o mundo me passe ao lado.
Estou tão cansada, mas tão cansada, que o que aos outros pareceria banal, a mim deita-me por terra.
Também, do chão não passo…
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segunda-feira, junho 02, 2008
Menos
Engraçada esta palavra que arranjei para travar o descambar duma qualquer frase ou conversa.Por vezes sinto que é o vocábulo que melhor me define.
No outro dia dizia-me um Amigo que achava que eu podia fazer mais… Disse somente isso… Depois suspirou e encolheu os ombros sabendo de antemão que se se tentasse explicar melhor era “metralhado” com as mil e uma desculpas e queixumes que, decerto, já conhece de cor.
Podia fazer mais. Podia ser mais. Sei que é verdade e que as desculpas são a minha escapatória para não me erguer e enfrentar a vida.
Perante as comparações óbvias com pessoas na mesma situação ou então ainda pior que eu, refuto veemente dizendo que cada pessoa é uma pessoa e eu sou eu! Não sou eles… Como dizia a criança em “Der Himmel under Berlin”: - Porque é que eu sou eu e não tu?...
Em tempos disse a este meu Amigo que julgava que uma pessoa que me é muito próxima sofria do “Complexo de Deus”. Justifiquei-me contando que quando a dita pessoa errava, nada podia ser dito sobre o assunto. Porém, se mais tarde alguém cometesse erro igual ou similar e, entre gritos e acusações lhe apontasse que ele tinha errado da mesma forma, a resposta era (ainda é): - Mas eu, sou eu!
Pelos vistos não sou muito diferente desse indivíduo que pensa que tem a autoridade divina…
Quando me dizem: - Ó miúda, tens tudo para seres grande e teres sucesso. Muitas pessoas sofrem das mesmas doenças que tu e piores e têm resiliência. Muitos têm azares duma dimensão catastrófica comparados com os teus desaires e nunca desistem até conseguirem provar que até o destino desafiam…
Engraçado, o meu Amigo é uma dessas pessoas, as tais da resiliência… Admiro-o tanto mas nunca o vi como um exemplo a seguir. Até porque o acho muito, mas muito, acima de mim… A ele imagino-o em cima dum telhado em pelo furacão a gritar: - Vem minha besta! A mim não me derrubas! LOL Que imagem mental tão cómica…
Mas o que quero mesmo dizer, perante todas estes conselhos e partilhas de como as outras pessoas se erguem perante a vida, “dão a outra face” e vencem os infortúnios, é que EU SOU EU!
Quem sai aos seus…
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domingo, junho 01, 2008
Vencedores
Se te pudesse emoldurar, desenhar-te-ia a sorrir
Com um cigarro na boca e as mãos estendidas, expectantes
Se pudesse usar as tuas roupas continuaria a ser diferente
E se tivesse a tua voz, jamais sussurraria
Falaria, falaria, falaria
Iremos ser vencedores
As nossas mentes coladas
E tudo é indefinido em ti
O que quer que te tenham dito
Não procures Deus se te sentires frio
Tenta o preto, o branco é giro
Se quiseres o azul, pagarás o preço
Não haverá espaço para nós
Abrirei um espaço para nós
Iremos ser vencedores
As nossas mentes coladas
E tudo é indefinido em ti
Encontra-te comigo defronte do quarto onde nos beijamos
Onde me mudaste, onde me alienaste
Onde ninguém resiste
Onde te segui, esvaziada por ti
Iremos ser vencedores
As nossas mentes coladas
E tudo é indefinido em ti
Iremos ser vencedores
Iremos ser vencedores
(Tradução "emocional" do tema "Winners" dos K's Choice)
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quarta-feira, maio 28, 2008
Só mais uma vez…
Permito-me a pensar-nos como um só mais uma vez…Como teria sido ter-te para mim e dentro de mim?
Que me sussurrarias ao ouvido quando o êxtase tivesse completo e os nossos corpos começassem a relaxar enquanto a respiração entrecortada e profunda desacelerasse o batimento cardíaco?
Continuaríamos abraçados, colados, exsudados a sentir o arrefecimento do desejo há muito acumulado?
Na minha cabeça o caso já se deu vezes sem conta, nos locais mais variados e nos contextos mais comuns e, noutros, imaginários. Apenas as personagens se mantiveram as mesmas.
Por vezes doce e calmo. Por outras, selvagem e cru. Mas sempre, sempre, muito, muito “à nossa maneira”.
Luta desmedida pelo controlo. O ser dominador numa situação em que ambos querem ser dominados. A desadequação de não saber como reagir. O embaraço de corpos nus vistos pela primeira vez e palavras proferidas não pela boca mas pelo fogo que arde por dentro. As obscenidades que incendeiam a mente e liberta as correntes que nos tolhem a libido.
O querer ser mais… Tudo!
Temendo a desilusão da ilusão criada por palavras ditas e escritas.
A virgindade do primeiro toque. A candura do primeiro beijo. A inocência da primeira penetração.
Os sorrisos envergonhados após os primeiros gemidos. De dor… De prazer!
A vontade agridoce de querer consumir e ser consumido com a voracidade de uma alcateia de lobos esfaimados.
Morder! Beijar! Lamber!
Degustar o sabor a sal da transpiração. Dos cantos e recantos de corpos descobertos mas com tanto por ainda descobrir… Novos e surpreendentes paladares!
Que se lixe! Pensar-nos-ei como bem me aprazer uma e outra vez!
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terça-feira, maio 27, 2008
A mala da Zara
Acabou-se o velho hábito da carteira que vincava os bolsos de trás… Ou o maço de tabaco à vista no bolso da frente da camisa. Ou então, o maço, a carteira, o telemóvel e as chaves de casa e do carro tudo na mão que deixavam cair a uns meros dois passos da mesa do café…
A metrosexualidade é algo que os verdadeiros machos latinos começam a entender mas com a qual não querem ser rotulados. Este último receio deve-se à ideia de que um metrosexual é um homem que é gay mas que ainda não sabe…
Convenhamos que é preciso ter paciência para aturar estes seres básicos…
Vejamos, quando éramos nós, mulheres, que demorávamos eternidades a nos arranjar para sair de casa, não havia piadola mais usada aquando dum atraso dum casal.
Agora demoram mais eles. Com cremes para a cara, para as mãos, produtos para a calvície, a máquina que corta os pêlos do nariz e das orelhas. Para além disso há o, óbvio, fazer a barba e cortar as unhas. As 10! Nada de deixar a garra pontiaguda no dedo mindinho.
Por mim, acho que fazem senão bem em experimentar outras cores de calças, comprar bolsas para levar os objectos que transportam todos os dias e tomarem conta deles próprios.
Desde que as escolhas sejas feitas com bom gosto e haja uma mulher por perto para se certificar que as cores conjugam, não há nada a temer…
Estar aprumado, bem vestido e limpinho não faz de deles gays, mas fisicamente mais atraentes. Além disso, sentem-se melhores com eles próprios.
Cá para mim que foge à rotulagem de metrosexual, tem algumas questões da sua própria sexualidade por resolver.
Quando nos sentimos bem com a nossa sexualidade até beijar pessoas do mesmo sexo conseguimos sem que com isso nos sintamos sexualmente baralhados…
Vá meus senhores, tomem conta de vocês que é assim que, nós senhoras, gostamos de vos ver. Arranjadinhos e bem-cheirosos.
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segunda-feira, maio 26, 2008
Spineless
Traduzido à letra quer dizer sem coluna vertebral. É como me sinto hoje. Desmotivada e pusilânime.Como Atlas, incapaz de sustentar o peso que carrego nos ombros e, por isso, fito o chão em vez de olhar para o horizonte.
Quero andar com a minha vida para a frente mas existem nós por dar e assuntos pendentes que ao não serem resolvidos impedem-me de prosseguir.
Uma vontade imensa de fugir a estas questões e a tudo o resto assola-me nestas horas de solidão e isolamento.
Penso, repenso e volto a pensar. Analiso as melhores resoluções. As que irão trazer menos sofrimento quer a mim quer aos outros mas não consigo. Nem sei qual o meu propósito… Se devo projectar para melhorias a curto, médio ou longo prazo.
Estou tão cansada. Mas tão cansada.
Perdi o interesse em tudo e começa a ser também aplicável a todos.
Tal como este texto, estou uma bela merda...
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