quinta-feira, novembro 27, 2008

Frases Encantadoras

- És uma mulher de palavras. – Disse a propósito de alguma coisa ou de um nada a meio da conversa…
Estava a ler textos que mantenho escondidos do mundo na minha pequena caixa de jóias…
- Tens umas frases encantadoras. – Disse referindo-se a uma questão avulsa no meio de tantas outras que me assombram à noite e não me dão o devido descanso:
“Ser adulto é chamar hoje "utopias" àquilo que ontem chamávamos o futuro possível?”
Partilhamos a língua materna e modos de pensar que vêm agregados a outra forma de educação. Metafisicamente existem patamares onde nos encontramos em discussão onde outros nunca se atreveriam a entrar.
É o meu boetie. Em meia dúzia de meses tornou-se meu “irmão de sangue” e, frequentemente, é o meu refúgio da dor.
É realmente extraordinária a forma como percepciona o mundo. Intrigante e, sempre com algum mistério, vai-se desvelando aos poucos deixando-nos com ânsia de o conhecer melhor e entender o que o impulsiona.Aliena-se de tudo e todos com um simples exercício mental tornando-se invísivel para aqueles que não quer que o vejam e muito presente para os que estima.
Estudioso da matéria viva de que somos feitos e da interacção humana, surpreende pela astúcia de quem observa ao longe mas capta tudo.Abstracto na forma de expressão com que é dotado, percebê-lo totalmente é um desafio prazeroso e engraçado. Exercício mental “in extremis”, sensação de vitória em cada concordância.
Mas que nos presenteia com algumas frases encantadoras, lá isso presenteia…

HERE'S TO US BOETIE:

sábado, novembro 22, 2008

We're just telling stories!

There is fiction in the space between you and me:




Minhas lindas:

Continuo sem palavras para escrever. Por isso deixo esta música genial da Tracy Chapman falar por mim. A todas, espero que as vossas ânsias estejam em via de ou já resolvidas. Mesmo ausente no blog, estou sempre aqui para vos ler ou ouvir, seja no mail ou no telemóvel.
Força! Lembrem-se que nos reunimos por uma razão. Somos únicas no mundo e sabemos que o essencial é invisível aos olhos.

Para sempre a vossa Raposinha dos abraços gigantes.

terça-feira, outubro 28, 2008

Telegrama de chocolate

Recebi dois hoje. Um literal e outro experiencial…

Daquelas coisas que, não sabendo como, nos adoçam a boca até quando julgamos nunca voltar a acontecer. Perdida toda a fé na humanidade - a única réstia de crença que ainda tinha - eis senão que existe um acto de bondade pura que rejuvenesce esta utopia que carrego comigo de que ainda existem pessoas boas no mundo.

Disseram-me em tempos que um dia ia ser grande. Ia ser conhecida. Ia ser alguém na vida! Finalmente sinto que sou. Fui agraciada com amizades de proporções épicas. Sou alguém na vida porque significo alguma coisa para estes Titãs com quem tenho a honra de privar.

Depois de assistir a uma tempestade no alto do Olimpo, desci o cume sentindo que a cada passo descendente ia me reduzindo à minha insignificância. O estatuto necessário para se viver na casa dos deuses atinge-se com a experiência de vida e a sapiência que dela se tira.Erro comum o pensar que por termos ganho a estima de deuses que alguma vez poderemos nos comparar a eles. Mas sendo quem são, logo, logo, nos põem no nosso lugar.

Contudo a minha vida está repleta de heróis que, vivendo connosco comuns mortais, em nada se comparam a nós. A humildade com que se misturam com os demais não significa que sejam nossos semelhantes. Todos os reconhecem pela luz que deles emana, menos eles que, ao viverem na ignorância do seu estatuto, são mais felizes.

A pequena centelha de esperança na humanidade que ressurgiu em mim faz-me sentir que Prometeu me escolheu para dar o fogo aos restantes. Que se calhar, uma mão cheia de nós podemos usar esse fogo para reacender as mentes nesta Idade das Trevas. Aquilo que se vai ganhando em facilidade de obter informação vai-se perdendo nas capacidades sociológicas e no conhecimento genuíno.


Afinal de contas, que nos interessa seremos “Homo Sapientíssimo” se vivermos confinados a nós próprios? De que serve a sabedoria se não tiver como objectivo último a partilha? De que será de nós se o toque humano for substituído pela luz trémula do ecrã e a velocidade com que conseguimos digitar uma SMS ou um e-mail? Será que anos a conversar virtualmente fará com que, com a evolução, as nossas cordas vocais deixem de ser necessárias? Voltaremos a falar por gestos e grunhidos? Alguns de nós já o fazemos.

Viver custa! Caramba se custa! Mas virem as costas aos nossos pares e procurem acolhimento junto a uma máquina que funciona apenas para aquilo que foi programada e uma coisa vos garanto: jamais saberão quão doce é receber um telegrama de chocolate!!!!

sábado, outubro 25, 2008

May God's Love Be with You - Para o Gigante





I picture you in the sun wondering what went wrong
And falling down on your knees asking for sympathy
And being caught in between all you wish for and all you seen
And trying to find anything you can feel that you can believe in
May god’s love be with you
Always
May god’s love be with you
I know I would apologize if I could see your eyes
’cause when you showed me myself I became someone else
But I was caught in between all you wish for and all you need
I picture you fast asleep
A nightmare comes
You can’t keep awake
May god’s love be with you
Always
May god’s love be with you
’cause if I find
If I find my own way
How much will I find
If I find
If I find my own way
How much will I find
You
I don’t know anymore
What it’s forI’m not even sure
If there is anyone who is in the sun
Will you help me to understand
’cause I been caught in between all I wish for and all I need
Maybe you’re not even sure what it’s for
Any more than me
May god’s love be with you
Always
May god’s love be with you

sexta-feira, outubro 24, 2008

O novo homem da minha vida…

… é sueco. Como prometido a algumas pessoas do meu círculo mais íntimo aqui do mundo virtual, passo a explicar o porquê dos meus textos mais depressivos e dolorosos.

Aqui há uns tempos fui fazer umas análises de despiste para confirmação duma possível Fibromialgia. O diagnóstico estava feito mas o Neurologista, sendo um céptico em relação a esta doença, achou por bem testar o meu sangue para tudo o que existe nas nossas células sanguíneas.

Descobriu-se que tenho marcadores genéticos para uma doença auto-imune. Fiquei, literalmente, lívida e faltou-me a força nas pernas quando desliguei o telemóvel. Tenho um tio que tem uma doença auto-imune gravíssima e já me imaginava no pior dos cenários.

Para vos poupar uma procura no Google, as doenças auto-imunes são aquelas em que os nossos anti-corpos, que têm o objectivo de nos proteger contra infecções, bactérias, vírus e afins, resolvem atacar variadas partes do nosso corpo. A razão desta agressão interna continua um mistério para a comunidade científica.Consoante o alvo escolhido pelos anticorpos as doenças variam no nome e gravidade. Por exemplo, a esclerose múltipla destrói o tecido que reveste as células do sistema nervoso central; a Miastenia Gravis prefere aniquilar as válvulas… Não, não tenho nenhuma das duas. Recuso-me a dizer o nome daquela que me foi diagnosticada para que não se ponham a investigar… Existem assuntos que merecem ficar na ignorância.

A que me saiu na lotaria não é das piores. Nem em termos de sintomas nem na rapidez a que leva à total e irreversível degradação do corpo. Nem sei se já se manifestou ou não… Passo a explicar: os marcadores genéticos referem-se a uma predisposição para determinada doença ou condição. Não existe uma obrigatoriedade de alguma vez vir a sofrer da doença contudo tenho de ser vigiada de 6 em 6 meses e estar atenta a qualquer alteração fisiológica relacionada com a síndrome.

De momento, estou condicionada a fazer uma vida o mais saudável possível para que, juntamente com medicação adequada, consiga estabilizar ao ponto de fazer desaparecer todos os outros sintomas que fui criando em 12 anos de doenças, exames e médicos de todas as especialidades.Daqui a 3 meses repetirei as análises e encontrar-me-ei de novo com o Internista para delinearmos um “plano de acção”.

Como me sinto? Assustada. Injustiçada. Cansada. Triste.A sensação de ser uma bomba-relógio não me agrada. Muito menos a incerteza daquilo que realmente se passa comigo. Contudo, nada de preocupações. Estou a digerir a informação que ainda é recente e, daqui a nada, estarei novamente “pronta para outra”.

E como o prometido é devido, cá têm a explicação.

segunda-feira, outubro 20, 2008

Hei-de lá chegar…

Ao entendimento que um dia pensei ter conseguido. Sentia-me bem por pensar-me diferente daquilo que fui em tempos. Não cair nas mesmas armadilhas e enjeitar dar ouvidos aquelas vozes que nos levam às escolhas que nos magoam e, consequentemente, os outros.

Precipito-me. Defeito que já me trouxe tantos dissabores… Por vezes, recuso-me a ouvir a razão e deixo-me levar pelos conselhos e racionalizações dos demais pensando-me incapaz de decidir sozinha. Erro duma forma ou de outra. Seja por decisão minha ou levada pela opinião dos que amo, falho redondamente.

Dizem que sou jovem. Que me faltam muitos anos para aprender a viver… A idade não se mede em anos mas na intensidade com que se vive aqueles que já por nós passaram. Além disso, não sei se me resta muito tempo para descobrir ou não. Ninguém sabe a própria data de expiração. Mesmo os moribundos não têm hora marcada. A alguns resta esperar que o dia chegue na esperança que, numa possível segunda hipótese, a fortuna seja mais favorável.Outros vivem alheios desta nossa certeza que somos um grão numa imensa tempestade de areia.

Poucos entendem ao que me refiro quando me auto intitulo de “alma velha”. Também não será aqui que passarei a explicar a importância desta minha definição.Apenas sei que o sou e que estou cansada. De viver, viver, viver e sentir que desaprendo a cada dia que passa. Mudam as premissas constantemente e falta-me a capacidade e vontade de continuar a batalhar contra uma corrente que parece arrastar todos à minha volta comigo. Uma onda que me varre sem aviso levando comigo aqueles que amo.

Sou imatura, ingénua e, até, ignorante em tanta coisa. Mas noutros aspectos sei demasiado para algum dia conseguir viver em paz comigo. A única triste conclusão que consegui tirar de praticamente três décadas a remar contra a maré…

Resiliência? Nenhuma. Vontade de continuar? Não por mim. Curiosidade? Só se for para ver quanto mais posso aguentar sem perder a cabeça.

Hei-de lá chegar…

domingo, outubro 19, 2008

quarta-feira, outubro 15, 2008

Tempo

Sem dúvida o conceito mais subjectivo da vida de qualquer um de nós. Já dizem os anglo-saxónicos: “ Time flies when you’re having fun” (o tempo voa quando nos estamos a divertir).
Quantas vezes não nos aconteceu estarmos com alguém de quem gostamos e uma hora passar num pestanejar ou num batimento cardíaco. Horas de conversa parecerem milésimos de segundo e que tanto, aliás tudo, ficou por dizer…Seis horas a dançar numa discoteca só nos afectar no dia seguinte porque nos doem” as cruzes” e o nosso andar ganha um contorno diferente… Um certo arrastar das pernas estranho….
Por outro lado, por mim falo, nas aulas, por exemplo, olhava para o relógio tantas vezes por hora que não sei como não fiquei com Síndrome de Movimentos Repetidos no pulso esquerdo. Completamente alheia aos bons modos, esquecia-me por completo de onde estava e bocejava alto e bom som como um leão na savana depois duma bela sesta à sombra. Não me conseguindo ver, desconfio que até aquele movimento de desenrolar a língua de dentro da boca fazia…
-Ó Renard, então?! Estou a enfadar-te?
(Sempre vi esta pergunta como retórica. Quer dizer se eu estava a bocejar a resposta já tinha sido dada. Por esta e outras razões, sempre me escusei de responder….)Esta é a expressão que mais vezes ouvi, depois de “Renard cala-te!”, durante os 19 ou 20 anos que estudei… Quase me engasgava ao me aperceber daquele gesto de besta que estava a fazer e ao tentar fechar a boca rapidamente. O que vale é que com a minha personalidade encantadora, grande parte do corpo docente durante a minha vida simpatizou comigo e não fui castigada muitas vezes…
Mas isso sou eu que acho que o conhecimento como algo obrigatório é doentio. Além disso, ser professor é uma vocação. E desses, aqueles que nasceram para contar histórias, tive poucos. Contudo, por me terem prendido a atenção e terem conseguido que me interessasse por aquilo que me estavam a tentar ensinar, estarão sempre tatuados na minha memória.
Quantas vezes deixamos de fazer ou dizer algo por falta de tempo e uma crença inabalável que no futuro o faremos? Depois existe uma curva apertada da qual não estávamos à espera e o futuro acabou ali e fomos tarde demais. Agora utilizo uma condução defensiva na vida. Tento ao máximo dizer às pessoas o que por elas sinto. Tantas vezes que, talvez, me achem estranha ou desequilibrada. Todavia, são mais as situações que me puno por aquilo que não fiz ou disse do que pelo inverso.
Ah, que sorte têm os que acreditam na vida após a morte e na capacidade de comunicarmos com aqueles que já partiram… Mesmo assim aconselho que amem e respeitem as pessoas quando ainda respiram. Depois de mortas não parece carinho mas hipocrisia. A verdade é que temos de aceitar todos como são enquanto cá andamos juntos e não vê-los como santos assim que o seu coração cessa de bater.
O conceito de ter todo o tempo do mundo existe e está certo… Mas para cada um de nós, esse tempo “todo” difere. Podem ser décadas como podem ser anos, meses, e por aí adiante.
Não deixes para amanhã um “gosto de ti” que podes dizer hoje… Porque o tempo, esse, não espera por ninguém.

terça-feira, outubro 14, 2008

Tudo a seu tempo…

Estava a precisar de um apertão urgentemente. Algo que me pusesse as situações e reacções em perspectiva. O entender a importância que aquilo que fazemos e nos fazem tem realmente para a nossa vida.
Não descuro que realmente já fui abaixo por assuntos absolutamente ínfimos aos olhos de outros mas, todavia, importantes para mim… “Por isso é que eu sou eu e não sou tu”, respondo novamente à criança do “Der Himmel Under Berlin”.
Mas crescer é isso mesmo. O auto-conhecimento. Esse é o único que nos pode abrir os horizontes para a preparação dos muitos desafios que se vão atravessando no nosso caminho ao longo do corredor.
Contudo a vida é cruel e o apertão foi com um pouco de força demais. Deixou-me lívida e sem reacção. Apenas a sensação que só podiam estar a brincar comigo:
- Não pode ser! Então mas… Quer dizer… Os outros agem mal mas eu é que…
Algo vai mal com a justiça divina ou o equilíbrio kármico. Acho eu… Não sou uma pessoa por aí além. Não sou santa. Também convenhamos que a vida de Madre Teresa de Calcutá não era bem para mim… Porém, tento ser o melhor que posso. Ás vezes até sou melhor do que devia ser. Sou tomada por papalva e deixada a sentir-me parva.
OK… O que interessa é que consciência com eu me deito e que me permite dormir à noite é a minha. Cada um sabe o que faz e os porquês. Eu de mim sei… Dos outros já não me deixo levar em especulações. Se dormem bem com as suas acções, força nisso! Na certeza que eu já não estarei lá nem como vítima nem como audiência.
O sentimento de não merecermos determinado azar é normal e já fui confrontada demasiadas vezes com ele. O ser humano é um bicho estranho. Temos muitos defeitos… Demasiados… Mas temos igualmente a capacidade de nos habituarmos a tudo. Até aos apertões com que somos presenteados de tempos a tempos.
Calma e estupidez natural impõem-se. As decisões a serem tomadas e as atitudes que advirão da necessidade de me libertar do sufoco que o apertão me poderá provocar virão a seu tempo. Tudo a seu tempo…