terça-feira, outubro 28, 2008

Telegrama de chocolate

Recebi dois hoje. Um literal e outro experiencial…

Daquelas coisas que, não sabendo como, nos adoçam a boca até quando julgamos nunca voltar a acontecer. Perdida toda a fé na humanidade - a única réstia de crença que ainda tinha - eis senão que existe um acto de bondade pura que rejuvenesce esta utopia que carrego comigo de que ainda existem pessoas boas no mundo.

Disseram-me em tempos que um dia ia ser grande. Ia ser conhecida. Ia ser alguém na vida! Finalmente sinto que sou. Fui agraciada com amizades de proporções épicas. Sou alguém na vida porque significo alguma coisa para estes Titãs com quem tenho a honra de privar.

Depois de assistir a uma tempestade no alto do Olimpo, desci o cume sentindo que a cada passo descendente ia me reduzindo à minha insignificância. O estatuto necessário para se viver na casa dos deuses atinge-se com a experiência de vida e a sapiência que dela se tira.Erro comum o pensar que por termos ganho a estima de deuses que alguma vez poderemos nos comparar a eles. Mas sendo quem são, logo, logo, nos põem no nosso lugar.

Contudo a minha vida está repleta de heróis que, vivendo connosco comuns mortais, em nada se comparam a nós. A humildade com que se misturam com os demais não significa que sejam nossos semelhantes. Todos os reconhecem pela luz que deles emana, menos eles que, ao viverem na ignorância do seu estatuto, são mais felizes.

A pequena centelha de esperança na humanidade que ressurgiu em mim faz-me sentir que Prometeu me escolheu para dar o fogo aos restantes. Que se calhar, uma mão cheia de nós podemos usar esse fogo para reacender as mentes nesta Idade das Trevas. Aquilo que se vai ganhando em facilidade de obter informação vai-se perdendo nas capacidades sociológicas e no conhecimento genuíno.


Afinal de contas, que nos interessa seremos “Homo Sapientíssimo” se vivermos confinados a nós próprios? De que serve a sabedoria se não tiver como objectivo último a partilha? De que será de nós se o toque humano for substituído pela luz trémula do ecrã e a velocidade com que conseguimos digitar uma SMS ou um e-mail? Será que anos a conversar virtualmente fará com que, com a evolução, as nossas cordas vocais deixem de ser necessárias? Voltaremos a falar por gestos e grunhidos? Alguns de nós já o fazemos.

Viver custa! Caramba se custa! Mas virem as costas aos nossos pares e procurem acolhimento junto a uma máquina que funciona apenas para aquilo que foi programada e uma coisa vos garanto: jamais saberão quão doce é receber um telegrama de chocolate!!!!

8 comentários:

f@ disse...

è um telegrama de chocolate ...doce como tu só sabes ... desse açucar de pura cana... este post e o que nos transmite... adorei mtos beijinhos das nuvens e o abraço...

BC disse...

Dizes que tenho andado desaparecida, acho que não sou eu, são mais outras pessoas, não sei porquê.

Eu escrevo quase todos os dias, ou praticamente todos os dias, apesar de andar muito ocupada.
Está tudo bem contigo? saúde?
Beijinhos
BC

1/4 de Fada disse...

Tenho andado tão submersa em trabalho que pouco tempo tem sobrado... e o que há é para não fazer nada, para olhar para o ar feita idiota! Nem ler consigo. Por onde andas e como é que estás?

ematejoca disse...

Barack Obama, 44th president of the United States of America

Yes they could. Yes they did.

~pi disse...

gostei muitÍssimo de tudo o que

li aqui,



~

ematejoca disse...

Mando-te um telegrama de ternura, kleiner Fuchs!

Marta disse...

Olá, que post optimista, porque a amizade é a melhor coisa que há no mundo....
Como dizes, não podemos perder a esperança...se bem que, ás vezes seja bem complicado...
Beijos e abraços
Marta

P.S.: Desculpa a ausência, mas a minha Mãe continua doente e eu própria para lá caminho....

BC disse...

Vim dar um olá visto que a menina desapareceu!!!
Beijos
BC