segunda-feira, dezembro 10, 2007

Fogo-fátuo


Começo, lentamente, a entender-te melhor.
Leio-te e estás espelhado nas personagens que retratas. Ficção? Não existe.
Inveja. Muita. De não conseguires sentir como nós mulheres sentimos.
Compreendes, sentes empatia, desejavas sentir assim, mas não consegues.
A plenitude com que nos damos, incondicionalmente e sem reservas, só transpões para o nível físico, característica masculina por excelência.
Por isso escreves o que nós sentimos. O que a nós nos dói.
Nunca serás meu, pois não? Nunca foste de ninguém… Não sabes o que é isto de amar incondicionalmente.
Não te deixaram. Roubaram-te essa capacidade quando ela florescia…
Um paradoxo! Completo. Sentas-te a analisa os outros, a guiá-los por caminhos que tu nunca tiveste a coragem de seguir.
“Não conheço o suficiente de ti para te amar”… O que falta conhecer se já me viste chorar?
O meu passado? O meu presente? Os meus sonhos? Esses nunca conhecerás. O que sou agora, já sabes. Nunca to escondi.
“Quando gostamos realmente de alguém, compreendemos, perdoámos e aceitamos como são….” Bonita retórica. Pena não ser verdade.
Não! Não quando gostamos mais! Quando sofremos mais! Quando vivemos mais!
Pérolas a porcos… Disseste uma vez num contexto só teu… Se sabes o que é estar do lado de quem Ama e não é Amado, compreendes que aceitar menos que Tudo é doloroso.
Também, da maneira que começou, acabará.
Uma Fénix que renasceu das chamas. Pena que tenha sido de um Fogo-fátuo.

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