domingo, março 09, 2008

Autodestruição

Assim que pus um pé fora do prédio quis correr novamente lá dentro e pedir-lhe para que esquecesse o que lhe tinha dito. As lágrimas que suprimi à sua frente correram-me pelas faces enquanto fiz o caminho até casa e ainda teimam em surgir quase ininterruptamente desde que me encontre sozinha. Estas palavras derivam dessas lágrimas que vão molhando o teclado.
Não tendo raiva ou ódio como bode expiatório não sei quem culpar por esta dor. Já não me recordava que era esta a sua violência. Se soubesse que me ia sentir assim não me tinha obrigado a tomar aquela decisão.
Não falando do assunto, tento com todas as minhas forças aparentar normalidade. Faço rir os outros com tal intensidade que choramos em conjunto. A diferença é que eu não choro de riso…
Ontem bebi tanto, mas tanto que fiquei num estado dormente e letárgico e, mesmo assim, a dor não passou. Hoje nem me levantei. Passei o dia no sofá a sentir um terror imenso. Até a dormir os pesadelos são tais que acordo lavada em lágrimas e encharcada em suores. As dores físicas levam-me a vomitar 5 a 6 vezes por noite.
Tenho vontade de me magoar. Punir-me. Magoar os outros. Mandar tudo e todos à merda. Fazer o que for necessário para não sentir esta imensidão de dor que nem compreendo de onde vem.
Sei que a escolha que fiz era a única racional e correcta para o bem-estar dos dois. Questiono-me, agora, se estou preparada para as consequências reais que trará para o meu dia-a-dia.
Perguntava-me que fazia eu durante a semana. Não lhe poderia dizer que, para mim, a restante semana era apenas tempo a passar até que chegasse, de novo, o nosso dia. E agora? Que vão ser as minhas semanas? Os meus meses? Se a força que me impelia a andar para a frente cessa de existir como tal… Era ele a minha força motriz…
Tudo o que não lhe dizia era completamente desprovido de interesse e o culminar da espera da semana, acalmava-me e preparava-me para mais uma.
Ainda passou tão pouco tempo e já começo a voltar ao velho eu. Discussões e violência verbal para com o meu pai. E até com a minha mãe que é quem menos merece e não entende a razão de estar a ser atacada. Fora a noite de ontem de que não me pude livrar por estar combinada, por mim, há imenso, fujo dos meus amigos porque não me apetece estar a fingir.
Estou aterrorizada. Completamente. Se me sinto assim passadas escassas horas, o que vai ser de mim quando o tempo for passando, o dia aproximando-se e eu, a raposa, não verei o meu principezinho à hora do costume?
Será que me precipitei? Será que ainda não estou pronta para “voltar ao mundo”? Estarei longe de saber viver ainda e, por isso, estar a ser acometida incessantemente de dúvidas da viabilidade desta escolha?
Que fui eu fazer?

2 comentários:

Pedro Marques disse...

Nem sei que te diga. Sei lá... Pensamento positivo, sempre positivo. Não há bem que sempre dure nem mal que não se acabe.

BC disse...

Renard!
Como mais velha,com filhos da tua idade compreendo alguns sofrimentos,porque todos já passámos por situações menos boas na nossa vida.Não sei exactamente o que se passa, mas pela leitura não está a ser fácil, e muitas vezes questionamo-nos se teria sido
a decisão certa, mas seja o que fôr
um dia rimo-nos das situações que ficaram para trás, acredita, para a frente é que está o caminho.
Sabes sempre onde me encontrar,e com os nossos afectos poderá ser mais fácil, pelo menos a palavra é
sempre importante
Beijinho
"Anda brincar comigo-pediu-lhe o principezinho-Estou tão triste"
BC