quinta-feira, junho 12, 2008

O Dia em que o Principezinho Pediu Desculpa à Raposa

À minha tribo de afectos, este post é-vos dedicado.
Incrível… Enquanto perscrutava os vossos blogs como faço diariamente, dei por mim a ver mensagens “subliminares” de apoio e carinho nos posts por vós deixados. Será coincidência? Não acho.
Por isso, vou-vos contar o que me aconteceu em forma dum novo episódio do livro de Saint Exupéry que nos une a todos. (Quer dizer, vou tentar…)


Como sabem, após algum tempo de avanços e recuos, eu e o meu Principezinho criamos o nosso laço. Único e indivisível como os laços devem ser. Dos tais que as pessoas grandes muitas vezes se esquecem de criar e, posteriormente, manter vivos e saudáveis.

Estávamos a dar o nosso passeio no planeta que partilhamos. Como sempre, lado a lado íamos conversando sobre as coisas importantes da vida interrompendo, aqui e ali, para umas valentes gargalhadas como é nosso costume.
Já me tinha afastado imenso da minha toca. Mas, como me sinto protegida na presença dele, nem reparei na distância que me separava do meu refúgio.
Sabem, é da minha natureza de raposa ser frágil e assustadiça. Mais depressa fujo do que uso os meus dentes pontiagudos para morder. Mas se me encurralarem, defendo-me da forma que a natureza me ensinou…
Dito isto, voltemos à descrição do meu passeio. Habitualmente, o Principezinho lidera a conversa. Pergunta-me como tenho estado desde a última vez que estivemos juntos e ouve as minhas histórias, ansiedades, tristezas e alegrias. Aconselha-me, guia-me e ajuda-me, acima de tudo, a criar defesas para não passar tanto tempo escondida. Ele conhece-me bem e sabe das minhas fragilidades. É dos poucos que sabe que os dentes que tenho e que os outros temem são só adorno porque, raramente, os uso senão para me defender. Como eu amo o meu Principezinho!
Por isso, quando passeamos vou com as defesas completamente em baixo. Não olho constantemente em torno de mim, não tenho as orelhas constantemente mexer com medo de alguém estar perto e não estou sempre preparada para a fuga…
Não obstante, ontem o Principezinho não mediu as palavras e disse-me uma coisa muito maldosa. Doeu como se me tivesse dado um pontapé valente no estômago! Foi coisa de pessoa grande!
O resto do passeio foi estranho. Sem grande vontade, confesso, lá me fui rindo das histórias engraçadas que me contava mas como sabia que o passeio estava para acabar deixei-me andar um pouco encolhida com as dores.
Morder o Principezinho?! Mesmo que não tenha tido intenção de me magoar, ele sabe que existem pontos que ao serem discutidos têm de se ter um cuidado extra. Se não corre-se o risco de me voltar a meter na toca e nem para os passeios com ele sair!
Qualquer outra pessoa teria levado uma valente dentada. Mas o meu Principezinho não. Não o consigo magoar. Nem por instinto!
Findado a caminhada, arrastei-me para a toca e enrolei-me para proteger as entranhas que latejavam com dor.
Mandei mensagem pelas estrelas para lhe dizer que estava dorida e a sofrer porque ele tinha sido descuidado com as palavras.
Pediu-me desculpa. Ainda não sou capaz de desculpar. Acertou-me onde as feridas ainda sangram profusamente e passei a noite em branco a ganir, enrolada em mim mesma.
Questiono-me se perdi a confiança no meu Principezinho… Se se rompeu o laço que tanto custou a criar…
Agora estou assustada e tenho medo dele. Ainda dói. Sei que se o ver agora vou-me encolher a cada frase com temor da dor que poderá advir das palavras não pensadas.

E pronto. Cá têm uma versão muito “rasca” dum episódio não editado do livro de Saint Exupéry.

Avó obrigada pelo colo!
BC obrigada afecto e sorrisos!
Fátima obrigada pelos beijos e abraços!
Marta obrigada pela companhia e pelo chá!

10 comentários:

BC disse...

Acho que uma renard tem que ser forte, e tentar ultrapassar palavras,existem sempre outras palavras mais bonitas.
Medo todos nós temos em determinadas ocasiões.
"Uma pessoa senta-se numa duna.Não
vê nada. E,no entanto, há qualquer coisa a brilhar em silêncio".
Sorrisos e afectos

Fátima André disse...

Obrigada pela tua partilha, pela tua história. Gostei muito, a sério.
Não tenhas medo. A confiança não se perde tão facilmente quando o laço é "único e indivisível".
Sabes, eu ontem fiquei triste com uma pessoa em quem confio inteiramente. Por momentos breves achei que ela não estivesse a falar a verdade. Enganei-me sabes. Nunca lho disse durante o dia. Guardei no meu coração e antes de dormir pedi-lhe desculpa pelos maus pensamentos. Mas nem por um minuto perdi a confiança nela. Há laços que são demasiado robustos. Não vacilam com coisas efémeras. A Amizade e o Amor quando são puros e verdadeiros não vacilam com as intempéries ou com socos na barriga... superam-se juntos, de mão dadas.

Quanto à tua introdução, só te digo a minha convicção. Não há coincidências, ponto.

Fátima André disse...

Desculpa, desculpa... falta o meu abracinho ;)

Maria do Carmo Cruz disse...

Minha Querida, colinho é coisa que não se gasta! E se não se importas de o dividir com a minha troupe de Amores, tens sempre um aqui. E um ombro largo, que julgo ter alargado para poder ter espaço para nele se recostarem tantas cabecinhas. E ainda sou do tempo de usar lenços. Às vezes, fazem jeito. Outra coisa, sobre o Amor ainda, que de Amor e amores percebo eu... Por alguma razão o meu Marido dizia que eu tinha cara de confessionário...
Mas é assim: Um Amigo, um Amor que nunca falha, apesar de não ser fiel a ninguém e ser fiel a todos, é, para quem o quiser encontrar, um JC de que a Fátima às vezes fala... Nem sei como Ele tem paciência, porque fazemos tudo ao contrário do que Ele nos recomenda e depois lá vamos pedir-lhe ajuda. Que nunca nega. Conhece-Lo?
Um beijo o mais de Avó possível.

Marta disse...

É isso - temos que confiar...
Um amigo verdadeiro diz-nos a verdade e ajuda-nos...
Nem por um momento nos deixa sozinhos...apesar da distância física que possa haver....
Um abraço muito grande e obrigada pela companhia....
Beijos e abraços
Marta

Fátima André disse...

Carmo, tenho que lhe dirigir aqui umas palavrinhas. Eu não sei se há pessoas que têm cara de confessionário, mas que me inspiram muita confiança e serenidade, lá isso não posso negar.
Esse amigo, Carmo, não fui eu que O encontrei, foi Ele que se cruzou no meu caminho quando eu já era bem crescida, adulta, professora e vivia na cidade mais alta de Portugal. Subi tão alto para ver outras coisas e Encontrei-O... Apaixonei-me... o resto da história não vos conto agora... também tem as minhas infidelidades e os meus socos no estômago (d'Ele).

Tenho que vos contar um segredo... Ele continua por aí. Todos os dias Ele quer precisar das nossas mãos para acariciarmos o rosto ou a mão do mendigo (de que falava a renard outro dia), do meu e do teu ombro para que outros reclinem a cabeça, do nosso sorriso, da nossa boca para espalhar palavras de afecto, para beijar que nunca foi beijado, dos nossos braços para abraçar e sentir corpo a corpo o verdadeiro AMOR. Este é o AMOR de oblação pura a que são chamados, mas nem todos serão escolhidos.
Adaptando a máxima da Carmo, eu diria "Depois de O Conhecer, só se pode AMAR".

RENARD disse...

A todas agradeço as palavras que me deixaram. Terei sempre em conta as vossas sugestões e conselhos.

Beijos, afectos, sorrisos, abraços, chá, colinho e ombro (ufa) tribais

Jade disse...

Amizade é muito importante!
Quando connosco somos sinceros,
ela não engana!
:)
Um beijo

Maria do Carmo Cruz disse...

Renard, minha Princesinha, eu entendo pereitamente o que escreves aqui e o que deixaste no meu blogue. Sabes porquê? Porque além de te mostrares quase à transparência, te AMO. Amo a tua humanidade, a fragilidade, a fortaleza, a fé, a descrença, tudo de que és feita. Porque és TU! Única e exclusiva.
Um beijo da Avó, que está aqui quando quiseres apenas.

Marta disse...

Pensar é sempre bom - mostra que estamos abertos ao mundo e aos outros...
Agora fiquei eu a pensar no excerto do texto que me deixaste...
Obrigada; agora vamos começar a beber chá gelado...
Beijos e abraços
Marta