quinta-feira, julho 24, 2008

A Gárgula

Outrora um anjo que vagueava pelos Céus e pela Terra, a Gárgula vencida pela maldade humana tornou-se uma figura de pedra.
Protegendo-se da dor daqueles que estimava e a desiludiram, posicionou-se no topo da Abadia. O seu território... De mais ninguém! Onde, só ali, se sentia segura.
Olha as pessoas da cidade lamentando as acções maliciosas e a dor que paira sobre os seus habitantes.
No entanto, saudosamente lembra-se daqueles que amou, há muito desaparecidos.
Protege a sua Abadia e aqueles que nela entram. Vícios do passado....
Adoptou uma aparência assustadora e uma localização inatingível para afastar o mal. Mas, o bem também ficou ao longe e, por vezes, a Gárgula sente-se sozinha e desamparada.
Ditou a sorte que tivesse encontrado uma Gárgula de construção mais recente com quem, de vez em quando, conversa e troca histórias...
E assim vive a Gárgula. Anjo disfarçado, passando os séculos a observar a vida mas, sempre, com medo de voltar a vivê-la...

5 comentários:

ematejoca disse...

Amanha, vou ler tudo sobre a sua viagem a Londres.
Hoje, é só para dizer que estou um pouquinho melhor, mas ainda com febre e muito cansada.
Um beijinho, e até amanha!

ematejoca disse...

Fado Portugues do José Régio

O fado nasceu um dia,
quando o vento mal bulia
e o céu o mar prolongava,
na amurada dum veleiro,
no peito dum marinheiro,
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.


Ai, que lindeza tamanha,
meu chão, meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro,
vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.


Na boca dum marinheiro
do frágil barco veleiro,
morrendo a canção magoada,
diz o pungir dos desejos
do lábio a queimar de beijos
que beija o ar, e mais nada,
que beija o ar, e mais nada.


Mãe, adeus. Adeus, Maria.
Guarda bem no teu sentido
que aqui te faço uma jura:
que ou te levo à sacristia,
ou foi Deus que foi servido
dar-me no mar sepultura.


Ora eis que embora outro dia,
quando o vento nem bulia
e o céu o mar prolongava,
à proa de outro veleiro
velava outro marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.


Este poema do José Régio é para si, Renard, para nao esquecer Vila do Conde, lá nessa cidade fantástica, que é Londres.
Está no Blogue, mas no arquivo.

Fátima André disse...

Bem... eu vou hoje de férias lol
por isso as minhas visitas aos blogs amigos vão mesmo passar a ser só de quando em vez... mas levo-vos no coração.
Deixo-vos com uma vasta lista de livros no meu blog... se algum vos interessar é só fazer download :)
Se puder, postarei alguma coisa em férias, caso contrário regressarei em força assim que terminem.
Abraços tribais :)

Marta disse...

Mas tu vais viver a tua vida...
Não tenhas medo...há altos e baixos...
Encontrarás a força para ultrapassar os baixos....
Beijos e abraços
Marta

Maria do Carmo Cruz disse...

My dearest, you really write beautifully! And you gave Gárgula (I prefer the Portuguese word) a noble and meaningful destiny.
But, all the same, the text is a bit sad. I don't like you feeling sadness. Live, my dear, and live with all your heart.
Kisses, Ouma